Resultados escolares
Comunicado da APFN - Associação Portuguesa de Famílias
Numerosas
A APFN congratula-se com a publicitação dos resultados
escolares,
comparando as notas obtidas nos exames nacionais com as classificações
obtidas ao longo do ano.
É por demais evidente a oportunidade e importância desta divulgação, que
põe a nu a fraude praticada por várias escolas.
Recorde-se que as notas obtidas na avaliação contínua têm um elevado
peso na classificação de acesso ao ensino superior, o que faz com que
alunos tenham o acesso facilitado com recurso a esta fraude,
prejudicando os melhores e mais sérios. Deste modo, vemos as
universidades a serem frequentadas pelos "chico espertos", em vez dos
mais capazes.
A APFN congratula-se pela atenção que esta situação está, finalmente, a
merecer por parte do Ministério da Educação, solicitando que sejam
apuradas responsabilidades de modo a se eliminar, de vez, os inúmeros
"esquemas" que têm arrasado o sistema educativo. A APFN considera que a
gravidade da situação exige, ainda, o apuramento da responsabilidade
política das equipas ministeriais anteriores.
Dado o observado, a APFN insiste na necessidade da criação de exames
nacionais no fim de cada ciclo, i.e., no 4º, 6º e 9º anos, em todas as
disciplinas.
A APFN não concorda com o estabelecimento de rankings baseados nesta
informação, i.e., alguém classificar e publicitar que a escola A é
melhor que a escola B, qualquer que seja o critério usado, uma vez que é
aos pais que compete escolher a melhor escola para os seus filhos, de
acordo com o seu critério.
O Estado deve limitar-se a publicar os resultados obtidos nos exames
nacionais comparados com os obtidos ao longo do ano, a fim de:
- Identificar, denunciar e combater as fraudes com as classificações· (com
particular rigor nas escolas estatais, pagas com os impostos de
todos os portugueses);
- Actuar junto das escolas com menores classificações, a fim de
encontrar as melhores soluções para inverter os resultados. Obviamente,
a instabilidade do corpo docente é um factor importantíssimo, para além
da falta de preparação e abstencionismo por parte de alguns docentes.
Escolas inseridas em meios menos favoráveis exigem, também, um maior
investimento para melhoria dos resultados.
A APFN aproveita a oportunidade para saudar a actual equipa ministerial
por todas as medidas que têm vindo a adoptar e, ainda, para recordar
outras
reivindicações:
1 - Criação do cheque-ensino, a fim de permitir que os pais tenham a
liberdade, reconhecida internacionalmente e na Constituição, de
escolherem o projecto educativo mais adequado para os seus filhos. Este
cheque poderá ser criado progressivamente, começando-se por apenas 25%
do custo do ensino estatal, aumentando 25% por ano até aos 100%. A
implementação do cheque-ensino não afecta, em nada, o Orçamento Geral do
Estado, aumentando, decisivamente, o retorno do enorme investimento na
educação.
2 - Acabar com a negociata dos livros escolares, autêntica exploração a
que os pais são sujeitos, que passa pela proibição de os alunos
escreverem em qualquer material impresso, devendo, para isso, usar
apenas os cadernos escolares. Nada justifica a constante mudança dos
manuais escolares do ensino primário e secundário. Até na universidade
os livros duram anos! A APFN não concorda que este problema seja
resolvido através da simples oferta de novos livros aos alunos.
3 - Promover a via profissionalizante: a APFN entende que o facto de
alguns estabelecimentos de ensino superior admitirem alunos com
classificações bastante negativas é sinal de, na realidade, serem
estabelecimentos de ensino médio. Como tal, deverão ser reclassificados
e passarem a admitir alunos com o 9º ano (ou inferior), aumentando-se a
oferta na tão necessária via profissionalizante, para bem desses
estabelecimentos de ensino, dos alunos, seus pais e do país em geral.
APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas