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Universidades ► Terça-feira, 6
de Novembro de 2007
Falsos “rankings”
de escolas
Miguel Copetto
Professor do Ensino Superior
O ambiente provocado por uma verdadeira avaliação de índices quantificáveis, seria promotor de uma melhoria gradual do nosso (fraquíssimo) ensino básico e secundário.
O Ministério da Educação divulgou recentemente a base de dados com os resultados dos exames nacionais do ensino secundário de 2007. Consequentemente, tal como em anos anteriores, a comunicação social elaborou e deu a conhecer o “ranking” anual das escolas secundárias. Contudo, a informação apresentada sob a forma de ranking é, em rigor, um falso ranking de escolas.
Um “ranking” é o resultado da some ordenada de um conjunto de tabelas comparáveis, em que cada uma quantifica uma determinada situação escolar e tem uma valoração diferente, de modo a que o resultado final espelhe uma determinada realidade. Neste sentido, tanto mais fiável é o “ranking” quanto melhor corresponder à apreciação e quantificação de todos as áreas e factores que, entre si, contribuem par a qualidade do ensino de cada comunidade escolar.
No caso dos “rankings” que são divulgados pela comunicação social desde 2001, a ordenação das escolas ali apresentada não se baseia numa análise feita por peritos mas sim em função de critérios jornalísticos, tendo por base, apenas e só, as notas obtidas pelos alunos nos exames nacionais em cada ano. Ora isto é muito pouco para se dizer que se está perante um “ranking” de escolas. Num verdadeiro ranking as notas dos exames finais seriam um dos itens, com uma valoração importante, diluído num conjunto de outros, como, por exemplo, a qualificação académica e pedagógica dos docentes, a qualidade das instalações e dos serviços de apoio, actividades extra-curriculares, etc, etc. Por esta razão, apesar de se notar um claro domínio das escolas privadas, quando se olha para os primeiros lugares do “ranking”, existe uma grande variação na posição que as escolas ocupam todos os anos. A razão de ser é simples, “os rankings” divulgados são de alunos e não de escolas, ou seja, nada nos elucidam sobre o ambiente do processo escolar, apenas se tem conhecimento que a(s) turma(s) daquele ano obteve (obtiveram) uma determinada classificação nacional, daí a volatilidade das posições alcançadas anualmente.
Sem prejuízo da opinião exposta, considero que também não se pode afirmar que estes “rankings” nada esclarecem. Na verdade, apesar de a ordenação apresentada ser bastante incompleta, no que respeita à informação sobre o panorama das escolas, é possível, no entanto, passados estes sete anos de “rankings”, extrair duas importantes conclusões:
São as escolas de natureza privada que produzem os melhores alunos;
Nas escolas que ao longo destes anos se mantêm imperturbáveis no leque das 20 melhores, apenas com ligeiras alterações de ano para ano, a classificação da posição média obtida só se pode dever à consistência e qualidade dessa comunidade escolar, a qual, certamente, teve forte contributo na qualidade final dos seus alunos.
Importava pelo exposto, que a par da informação sobre os resultados dos exames nacionais, o Ministério da Educação instituísse uma entidade independente que, utilizando padrões internacionais de excelência, fornecesse anualmente um conjunto de dados, quantificáveis e compatíveis, que melhor pudessem espelhar a realidade das escolas portuguesas.
Esta informação geraria uma concorrência saudável entre a comunidade escolar. Cada escola teria consciência do patamar em que se encontrava – comparativamente com as restantes – e, ao analisarem os itens, que se apresentavam negativos teria a possibilidade de delinear as estratégias adequadas a melhorar o seu nível de desempenho. O ambiente surgido, provocado por uma verdadeira avaliação de índices quantificáveis, seria promotor de uma melhoria gradual do nosso (fraquíssimo) ensino básico e secundário, cujo índice de eficácia nos resultados (elevadas taxas de abandono e de insucesso escolar) e eficiência dos meios, está muito longe de atingir padrões médios europeus. ■