Espaço público

  

Serviço público numa escola pública

José Eduardo Lemos

Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

 

 

Devemos sublinhar que muitas escolas melhoraram os resultados escolares em resultado da publicação dos rankings

 

A divulgação de listas ordenadas (rankings) de estabelecimentos de ensino, a partir dos resultados obtidos nos exames nacionais, constitui-se, independentemente de outros considerandos, como o único meio credível de que os cidadãos dispõem, até ao momento, para escrutinarem os resultados escolares dos alunos em todas as escolas do país. E o único meio através do qual retêm uma imagem, pálida e incompleta é certo, mas a única imagem global e também descentralizada do sistema de ensino que lhes tem consumido imensos recursos financeiros em impostos.

 

É o único meio para avaliarem, com os seus critérios e juízos - que são sempre os melhores, mesmo se falíveis -, os resultados escolares obtidos pelos alunos de cada escola e, se for este o seu critério, escolherem aquela onde os seus filhos poderão obter melhores resultados.

 

Os rankings não mostram toda a qualidade do trabalho que se faz nas escolas públicas e privadas. Nem pouco mais ou menos. Também é verdade que existem tantos rankings quantos os critérios utilizados na ordenação das listas de resultados de exames. E nem todos os rankings têm em conta os factores geográficos, a suas diferenças de estatuto das escolas, o número de examinandos, a proveniência sócio-cultural dos alunos e muitas outras singularidades. Nem dão conta das muitas adversidades e contrariedades esforçadamente ultrapassadas por muitas escolas, de que só há notícia quando - mais uma vez - os jornais e as televisões as divulgam. Tudo isto é verdade.

 

No entanto, as listas ordenadas de escolas com base nos resultados dos exames continuam a ser os únicos dados disponíveis ao comum do cidadão, que lhe permitem observar os resultados escolares dos alunos de todas as escolas do país. E, nem o governo, nem qualquer outra entidade interna, pública ou privada, disponibilizou até agora outros dados ou outros estudos ou outras referências que, melhor que os rankings, ofereçam à população uma imagem global dos resultados obtidos pelos alunos.

 

Mais: foi graças aos jornais e aos jornalistas, com destaque para o PÚBLICO e o seu director, que aquilo que era informação na posse de apenas alguma nomenklatura passasse a ser informação pública, disponível para todos, inclusivamente para as organizações educativas. Aos jornais e aos jornalistas, o meu muito obrigado. Fizeram uma acção muito meritória.

 

Num país livre e num Estado de direito democrático, os resultados dos exames nacionais nunca deveriam ter sido escondidos da população. Foram-no durante demasiados anos e, agora, demorarão ainda mais alguns até que sejam encarados com naturalidade. Aliás, a bem da verdade, a população encara-os com naturalidade. Alguns responsáveis políticos, alguns sindicalistas e alguns professores e dirigentes educativos é que os vêem com preocupação e excessivo dramatismo, pois percebem muito bem que os resultados dos exames nacionais também darão aos cidadãos uma imagem, aproximada e incompleta, é certo, das medidas políticas e educativas que foram sendo tomadas e aplicadas por eles, à medida das suas responsabilidades.

 

Por conseguinte, devemos todos sublinhar o esforço que todas as escolas do país - públicas e privadas - vêm fazendo em prol da educação. Devemos sublinhar o esforço que têm vindo a fazer para que os seus alunos obtenham melhores resultados nos exames e, elas próprias, ascendam alguns lugares nos rankings. Devemos sublinhar o facto de muitas escolas terem melhorado os resultados escolares em resultado da publicação dos rankings. Devemos sublinhar e agradecer o serviço público que os órgãos de comunicação social têm vindo a prestar ao país, anualmente, sempre que tratam e publicam os resultados dos exames nacionais.

 

Devemos, enfim, destacar que os resultados obtidos pelos alunos nos exames são, apenas, uma dimensão do trabalho feito nas escolas: não a única, não a mais importante, mas sempre uma dimensão essencial do trabalho que se desenvolve.

 

Membro do Conselho das Escolas